Ouve com atenção aquilo que vou aqui escrever. Já que não me
respeitaste, ao menos lê, ao menos sente estas palavras que estão prestes aqui
a ser lidas. E talvez vejas um bocado do meu ponto de situação. Cada uma destas
coisas que aqui vou por já me escorreu pelos os olhos, noites seguidas, quando
depois de cada telefonema te sentia distante, quando dizias que a culpa era só
minha, quando me fazias acreditar que era um monstro, que tinha de mudar por
ti. Hoje vejo que aqui o único monstro és tu. Isto não é um “até já”, não é um
“adeus” . É um fim, um virar de página, mas não és tu que fica com a última
palavra.
Então aqui vai. Tudo começou há muito tempo, eu ainda era
jovem, assim como tu, éramos pessoas bastante diferentes do que somos hoje,
passaram – se quase dois anos depois de tudo ter começado a acontecer. E agora
relembro passo a passo, memória a memória. Tu foste o meu 1ºamor. A 1ºpessoa de
quem gostei a sério. A 1ºpessoa que me fez sentir “crescidinha”, segura, feliz
totalmente apenas com um simples “olá” de longe, um sorriso roubado no meio de
estranhos, talvez tenha sido o problema, eu contentar - me com tão pouco teu. Mas afinal é isso,
quando amas, não esperas nada em troca, ao menos eu pensava assim, mas depois
eu vi as coisas de maneira diferente. Aí eu comecei a sentir – me mesmo
especial, porque tu tinhas ciúmes meus. Tu me fazias sentir protegida. Acima de
tudo, tu fazias com que as outras raparigas nada parecessem ao meu lado, porque
tu sim, sabias fazer – me sentir bem, talvez por isso, te tenha escolhido por
cima de todos os outros rapazes que me tentaram abrir os olhos. Era a tua fama,
as tuas conquistas, as raparigas atrás de ti, as conversas escondidas.
Mantíamos em segredo todo aquele nosso amor, e custava – me imenso, passar por
ti, e nem poder olhar para ti como deve de ser, com medo que os teus amigos
descobrissem. Mas tudo isso era apagado, quando falavas comigo e me acalmavas,
e me fazias ver que afinal.. nós não precisávamos de um título , um rótulo para
sermos algo, para sentirmos algo.
Quando o ano passado começou, pensei por momentos que as
coisas fossem mudar, mas havia sempre alguma coisa que impedia que
assumíssemos, que tornássemos a nossa relação “real”, qualquer desculpa que
arranjavas, mas eu amava – te. E isso chegava mesmo, não digo que a culpa tenha
sido só tua, porque também foi minha, devia ter visto mais cedo, devia ter
percebido, mas não quis. Qualquer momento contigo, para mim dava, sabia bem, e
aprendi a gostar do secretismo envolvido. Afinal, eu pensava que seria
recompensada por toda a minha paciência, mas isso nunca aconteceu. Eu nunca
conseguia ver. Perdi várias pessoas, vários amigos talvez porque eles me
tentaram avisar, e eu nem queria ouvir, nunca quis, porque aí teria de aceitar
a realidade.
Depois, comecei a receber a atenção de vários rapazes.
Coisas normais, achei. Tu também tinhas as tuas “amigas”, havia boatos sobre
elas. Via – te na escola com elas, abraçava – las, ias para sítios mais
escondidos com elas, afinal, secalhar podias fazer com elas o que fazias
comigo. Mas eu nunca me podia chatear com isto. Agora tu? De cada vez que
falava com alguém, de cada vez que sabias, eu merecia tudo de mau. O teu
desprezo. O castigo. Deixavas –me de falar logo que soubesses de tal coisa, eu
era a pior pessoa do mundo, o tal monstro. Mas eu nunca via.
Tu tinhas um jogo tóxico, que nem eu , nem as outras
“jogadores” viam, só as pessoas de fora assistiam a tal espetáculo. Bem, o
nosso namoro secreto tornou – se monotonia para ti. Querias sempre mais,
querias avançar mais, e eu via que há medida que recusava me davas menos
atenção, te davas com outras mais, fiquei insegura. Eram todas lindas, mais
velhas, e pensei que talvez fosses gostar mais delas do que de mim.. E foi aí
que confiei tudo em ti. Movida pelas tuas promessas e do “vai correr tudo bem”,
para além do coração, entreguei outra coisa, que nunca mais recuperaria. Se me
arrependo? Nunca, eu sabia o que estava a fazer. Só não sabia com quem me
estava a meter. E por mais que me tentasse convencer que a nossa relação era
mais que o físico, que falávamos, que eu te conhecia, era tudo uma mentira.
Acusaste – me de só te querer para te tocar, mas no fundo isso eras tu, tu é
que querias só estar comigo para me usares e deitares fora. Agora cansaste –
te, e foste – te embora, dizes que não lutei por ti, mas.. Mas é mentira e tu
sabes, implorei que ficasses, implorei que não me deixasses. Disse que te
amava, que nunca te quis perder, mas a
isso nunca deste valor. E sofri imenso, e quem fica com a fama sou eu, e tu com
o proveito. Agora sei que mais iguais a mim virão, irás enganá – las, e atraí –
las para o teu jogo. E serás o PLAYER vencedor. Tu não gostas de perder, certo?
Eu deixei – te ganhar então, foi uma luta perdida. Mas eu não te deixei, eu não
me afastei, eu não deixei de te ver, não porque me cansei de ti. Porque me
cansei das tuas atitudes. E cansei – me de ser burra. Sabes, eu amei – te
mesmo. Eu pensava que eras homem a sério. Mas tu tens paciência para jogar… Mas
eu não jogo com os sentimentos dos outros. Fica bem.
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