quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Aquela história

Foi naquela tarde que eles deram o seu primeiro beijo. Talvez eles não fossem muito seguros de si. Nem se conheciam muito bem, mas sentiam algo um pelo o outro. A experiencia, aquilo que iriam viver, concentrou - se tudo ali. Ainda era inverno, e estava frio, aquele tipico frio de Janeiro. Aquele frio que dá vontade de aconchegar, de não ir á escola. Mas naquele momento , naquele lugar, muitas certezas viriam a ser certas. Ela era uma rapariga, segura de si por fora mas por dentro muito indecisa, e talvez um pouco confusa. Seria assim, ela estava mesmo no inicio da sua adolescencia, e foi quando o mundo começou a despertar a sua atenção e ela quis sair da sua bolha encantada. Ele, era um rapaz brincalhão, todos gostavam dele, tinha várias namoradas, era seguro, e no entanto só queria gostar de alguém a sério. Era bonito, e gostava da companhia daquela miúda, por assim dizer, gostava da sua atitude desafiadora, daquela maneira que ela lhe fazia sentir. E ali estavam eles, duas pessoas completamente diferentes, a serem iguais no coração. E daí começou tudo, aquela história de amor, aquela história linda que eles começaram a criar. No inicio era tudo muito recente, começaram por conhecer - se com coisas naturais, como os seus sonhos, o que gostavam, o que não gostavam etc, e viam como gostavam de estar um com o outro. Eles não trabalharam logo nos seus sentimentos, o que significou um problema, pois a rapariga tinha medo que esse tal rapaz se pudesse apenas aproveitar - se dela. Dando ouvidos a opiniões alheias, a relação deles atravessou um período dificil, ela quebrou tanto a confiança dele, que a menina que tinha medo de ser magoada acabou por magoar, dizendo que estava apaixonada por outro. Não é que fosse mentira, mas aquela rapariga, quando sentiu que tinha perdido aquela boa coisa, sentiu - se muito mal por ter magoado aquele rapaz que a fazia sentir tão bem. Ele podia ter tantos defeitos, ele já podia ter errado, mas ela não o queria magoar, queria ser amiga dele , queria estar com ele, queria faze - lo feliz. Então ela esforçou - se para ganhar a confiança dele novamente, e eles encararam um novo lado da relação deles, decidiram dar uma espécie de "tempo" para se conhecerem melhor e perceberem o que realmente queriam daquela relação deles. A miúda insegura, deixou de ser insegura por dentro, começou a ter mais confiança para expor os seus sentimentos, ela queria realmente expor - lhe aquilo que sentia, ela queria sentir - se especial. Aquilo era tudo novo, ela não sabia o que fazer, mas sabia que aquilo era amor. Ele deixou de ser de todas, e quis ser só dela , apesar de não namorarem "oficialmente" , ele queria ser chamado de namorado dela, e tinha saudades dela constantemente. Sim, eles tinham discussões, mas gostavam de estar um com o outro, e eles traziam o melhor do que havia um com o outro. Ela cresceu, ele cresceu, e passaram a crescer juntos de mãos dadas. Ele queria alguém para amar e teve; ela queria sentir - se especial, e teve. Tudo corria bem, e ela dava provas de querer a confiança dele, apesar dos ciúmes, apesar dos amigos e amigas, mas ela provou ser fiel. Ele provou ser paciente, saber esperar por ela, por aquela miúda, pela pequena dele. E o tempo foi passando, houve férias, e tudo o que eles os dois queriam eram estar um com o outro. Ela vivia o seu primeiro amor, ele sentia que nunca tinha dedicado tanto tempo a alguém, ou mesmo gostar de alguém assim. Aquilo era amor sem dúvida. Os "gosto muito de ti" já não eram sufecientes, o "ser amigos" não era suficiente, e quando as férias acabaram, e quando eles se voltaram a ver, o sentimento continuava lá. Ele não a pedia em namoro porque tinha muito medo, ele queria ser o namorado perfeito, sabia que nunca o poderia ser, ele só queria ser melhor pessoa para ela. Ela tinha medo de errar novamente, pela primeira vez na vida, em 1ºlugar estavam os sentimentos dele e não os dela, ela só queria fazer - lhe bem. E ao mesmo tempo tinha medo de realmente dizer lhe que o amava. Porque esta era a sua primeira vez, mas a dele não, e tudo aquilo era como dar um tiro no escuro. Foi então o primeiro "amo - te", ali naquele lugar, seguido de um beijo apaixonado, tal como o primeiro, e foi então que ambos tiveram as suas certezas. E nessa mesma semana, ele foi ter com ela, e disse - lhe finalmente o que ela tanto queria ouvir. Que ela era especial. Diferente das outras. A pessoa que ele mais queria para ele. Ela correspondeu lhe. E ali naquele seu momento ele beijou - a mais uma vez e pediu -a em namoro. Aquele dia foi um dos dias mais felizes da vida dela. Ela estava á espera daquilo, daquela prova de confiança. Era um dia chuvoso, e após aceitar aquele pedido, ela correu feliz para a sua aula, e ele para a sua, em sítios diferentes, mas os dois com o mesmo pensamento , que se amavam. Se o namoro foi fácil ? Não, não foi, eles discutiam muito, mas a verdade é que cada discussão nunca terminava com um "adeus" mas sim com um "desculpa" e uma troca de abraços. Eles amavam - se , sim, eles cresceram, já não eram as mesmas pessoas que eram naquele Janeiro, ao longo das estações foram mudando, muitas pessoas metiam - se no meio daqueles dois, mas no final do dia ? No final do dia, era nela que ele pensava antes de ir dormir, no final do dia ele era a causa de tudo o que aquela pequena escrevia. E eles amavam - se, e discutiam, e amavam - se e havia ciúmes, e ela queria mais atenção dele, e ele queria ser o único na vida dela, e ela pensava que ele não gostava tanto dela como ela dele, e começou assim, e foi assim, e acabou assim. Da mesma maneira como elas começaram numa tarde de Inverno, acabou numa manhã de Verão. Eles mudaram , sim , ao longo das estações. E foi isso que aconteceu. Apesar de se amarem, aquilo comecçou a tornar - se repetitivo. E aquele rapaz , aquele de quem ela tanto gostava.. Bem, desta vez foi ele que traiu a confiança dela. E do nada, ele decidiu que já não valia mais a pena. Disseram - se coisas horríveis. E desta vez a discussão não terminou com um abraço. Terminou com um "adeus". E tudo aquilo que eles podiam ter sido, não foram, pois aquele rapaz decidiu menosprezar os sentimentos da sua pequena. Aquela rapariga que antes estava a viver um sonho, começou a viver o pesadelo. Sentiu - se trocada, triste, confusa. Ela não compreendia. Ele agora estava a viver tudo de novo com outra rapariga. Foi num estalar de dedos e arranjou outra. E aquele menino? Ele já não é o mesmo. E aquela menina? Também não. Nenhum deles estava á espera. E uma coisa que aquela menina aprendeu, foi que , temos de saber seguir  o coração , mas também ouvir a razão. E aquele menino? Eu não sei o que ele aprendeu. A verdade é que já não falo com ele há muito. Aquela menina? Sou eu. O que aprendi foi que, nem tudo dura para sempre. Que temos de seguir em frente. Como já disse uma vez, o que antes era uma grande história de amor agora já não é nada.

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