Hoje foi mais um dia normal. Acordei a uma hora relativamente cedo para quem está de férias, e olhei - me ao espelho como sempre, contemplando aquilo que o Sol me fizera á cara.. Ainda há uns dias tinha acordado com um escaldão na cara, e hoje recebo as peles. Eram 7h30 da manhã. A esta hora, em plenas férias, pessoas da minha idade ou estão a acabar as suas noites em que ficaram acordados, ou simplesmente dormem profundamente. Mas eu levanto - me todos os dias, a essa mesma hora, com um propósito maior do que dormir: emagrecer. Telefono a uma amiga para vir comigo. Preferia fazer isto sozinha, porque não haveria tentação de parar, estaria eu a menosprezar - me sozinha enquanto corro por sítios que sei que são practicamente desertos. Mesmo assim vou buscá - la a casa, e sei que não vai resultar. Não tomo o pequeno almoço, porque não me quero sentir ainda mais gorda, e lá vamos, e caminhamos. Eu queria correr, queimar calorias, mas ela não quer, e vamos a conversar, e nem vamos em passo de caminhada. Sinto - me a esmorecer enquanto a oiço falar, sei que não estou a queimar nenhuma caloria, até que nos sentimos cansadas por andar apenas a andar normalmente por subidas e descidas. Ela oferece - se para pagar um gelado, e eu feita cega, aceito, e la compramos dois gelados estilo haggen daz, mais um pacote de batatas fritas para acompanhar com molho de alho. Verdadeiramente delicioso, devo acrescentar. Sentamo - nos no sofá dela, e comemos até nos fartarmos, falamos e vemos televisão, até que chega hora de ir para casa. Senti uma certa urgência de me fechar numa casa de banho com vergonha, mas não o faço em casa dela, e vou para a minha. A minha casa tem estado cheia. Não posso ter um momento para mim. A minha mãe diz para irmos almoçar , quando só quero é vomitar. Como uma sopa a custo, e todos estranham por comer tão pouco. Mal eles sabem que por dentro estou a morrer. Acabo, e vou á casa de banho com medo. Sinto - me enjoada, e fico lá um bom tempo só por estar. É então que pego na escova de dentes, e enfio - a na boca. Honestamente não sei o que estava a pensar. Eu já tinha pesquisado como se fazia, o sitio correcto para por a escova, e sair tudo cá para fora. E não saiu. Depois de várias tentativas falhadas, olho - me ao espelho, cansada e cheia de olheiras, sem ninguém com quem poder falar. Saio da casa de banho, disfarçando, e vou em direção ao meu quarto, onde me deito e durmo, e afogo - me nos meus pensamentos.
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